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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Fonte do Nico Light 2007



Branco
Regional Terras do Sado
Adega Cooperativa de Santo Isidro de Pegões
1,96€ Jumbo
15,5/20


A Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões é um caso raro de sucesso, num período de crise aguda no sector vínicola cooperativo em Portugal. E este vinho é mais um exemplo da boa capacidade de adaptação ao mercado que esta cooperativa vem demonstrando e que tem sido amplamente recompensado, quer em vendas quer na acumulação de prémios nacionais e internacionais.
Nascida em 1958 com o objectivo de proporcionar apoio técnico e logístico à exploração dos 830 hectares de vinha doados por José Rovisco Pais aos Hospitais Civis de Lisboa, a Cooperativa de Pegões passou por altos e baixos, também ela sujeita às ocupações e desequilíbrios inerentes à revolução de 1974. Mas nos últimos 15 anos investiu cerca de 7 milhões de euros na modernização da sua adega, na informatização dos seus serviços e até na certificação da qualidade dos mesmos. O resultado é uma adega moderna e competitiva que produz cerca de 7 milhões de quilos de uva e 6 milhões de litros de vinho por ano, a partir dos 967 hectares de vinha ao seu dispor. Exporta cerca de 15% da sua produção, dividida em 74% pelos tintos (com ampla predominância do Castelão) e 26% de brancos (onde predomina o Fernão Pires).
Este Fonte do Nico Light é elaborado a partir de Moscatel de Setúbal (90%) e Arinto (10%) e tem apenas 10% de álcool. Tem um aspecto claríssimo e citrino, com levíssima bolha e fraca concentração, tal como a viscosidade.
No nariz predominam as notas campestres e frutadas: passas, notas melosas e fruta em calda. É um vinho alegre e agradável onde se sente bem a presença exótica do Moscatel, e pode beber-se sem remorsos, atenta a escassa graduação alcoólica. Apesar da doçura exibe uma boa frescura secundária, com breves notas mentoladas e vegetais.
Na boca sobressai a leveza. Um vinho elegante e muito frutado, mais doce do que seco e onde impera o carácter do Moscatel. Sobra-lhe em prazer o que porventura lhe falte em complexidade. Directo e eficaz, bebe-se com muito prazer. Um vinho contra-corrente, original e muito bem-vindo.
Final correcto, sem defeitos e de boa duração. Preço muito atractivo.

domingo, 20 de abril de 2008

Domingos Damascenos de Carvalho 2004


Regional Terras do Sado
SOTA (Poceirão, Palmela)
8,99€ Continente
16,5/20

Um produtor de tradição na região de Palmela e uma garrafa já com alguns anos de casa… Mostrou-se contudo em excelente forma. De cor rubi, viva e brilhante, concentração média e viscosidade não muito elevada. O nariz é balsâmico com a fruta roxa e silvestre a evidenciar-se, entre leve madeira, num conjunto campestre com levíssimo odor animal. Após agitar surgem algum vegetal e muita cânfora, com notas de metal amarelo. Leve bouquet silvestre. Na boca é medianamente encorpado, com a acidez muito contida mas sem comprometer. Os taninos são aveludados e muito elegantes, mostrando mesmo alguma nobreza. À fruta silvestre do nariz juntam-se agora os frutos vermelhos e as compotas, notando-se alguma doçura mas sem demasia. Finaliza elegante, redondo e prolongado. Um vinho excelente e com algum requinte. Um pouco mais complexo e seria uma referência… Foi galardoado com uma medalha de ouro no V Concurso de Vinhos da Península de Setúbal, CVRPS 2005.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Escolha António Saramago 2003


Palmela DOC
António Saramago Vinhos (Palmela)
8,49€ Feira Nova
17/20

Galardoado com uma medalha de ouro no VI Concurso de Vinhos da Península de Setúbal 2006 e eleito o melhor Palmela DOC do ano é um vinho de autor, elaborado com uva “emprestada”, pelo enólogo António Saramago, antigo colaborador da casa José Maria da Fonseca e por isso profundo conhecedor da região. Vinho extreme da casta Castelão é a prova das boas capacidades desta casta, tantas vezes desprezada, vítima do seu próprio sucesso no passado. Muito concentrado, opaco mesmo com auréola violeta, apresenta-se de cor granada, com bom brilho e viscosidade elevada. Nariz potente com muito couro e marroquinaria mas com a frescura bem presente nas notas canforadas. A fruta está algo escondida no perfil muito concentrado mas ainda assim surgem notas de fruta muito madura (silvestre e preta) e licores. Após agitar acentua-se a frescura vegetal, surgindo os mentolados e ligeira farmácia. Na boca revela boa acidez, que garante a almejada frescura, com taninos de cetim, delicados e elegantes. Fruta muito madura, vermelha e silvestre (preta), licores e vegetal fresco num vinho encorpado e com raça. Termina muito longo, cheio de personalidade. Um excelente castelão. Não me lembro de ter provado outro assim…

BSE 2006


Regional Terras do Sado
José Maria da Fonseca (Vila Nogueira Azeitão- Setúbal)
10,00€ Restaurante
15/20

Este branco seco especial é um valor seguro da casa José Maria da Fonseca. Produzido desde 1947 e elaborado a partir das castas Fernão Pires (52%), Arinto (19%) e Antão Vaz (29%) é uma das mais antigas marcas de vinhos portuguesas sendo produzido à razão de 510.000 litros anuais.
Apesar de ser um vinho de grande produção a qualidade não se ressente disso, fruto da inegável qualidade enológica deste grande produtor de Azeitão. Este vinho tem sofrido alterações significativas ao longo dos anos que o têm mantido a um nível qualitativo assinalável, face ao preço e produção exibidas. Ao seu perfil moderno e apelativo não será alheia a utilização (em perto de 30%) da nobre casta alentejana Antão Vaz, uma cedência à moda com reflexos muito positivos na qualidade apresentada. O perfil esse mantém-se fiel à tradição: aromático, frutado e com uma atraente secura que o tornam companheiro inseparável da boa gastronomia setubalense com a mesma facilidade com que se bebe como aperitivo. Finaliza correcto e prolongado numa apreciável relação preço qualidade.

Domingos Soares Franco Colecção Privada Trincadeira 2001


José Maria da Fonseca – Vila Nogueira de Azeitão (Setúbal)
Vinho Regional Terras do Sado
17,15€ Continente
17/20

De forte cor rubi, concentração média, tal como a viscosidade, mas muito brilho. Um belíssimo vinho. O nariz não lhe fica atrás: couro, tabaco e fumados, balsâmico de excelente qualidade e fruta silvestre que se intensificam em frescura após agitar, surgindo também leve cânfora e madeira, e terminando com leve bouquet balsâmico. Excelente nariz. A boca é elegante e sedosa com os taninos macios envoltos em boa acidez e muita fruta madura, silvestre, vermelha e em compota. O final é persistente mantendo as notas atrás descritas: elegante, frutado e sedoso. È um vinho de porte aristocrático, belo e de extrema elegância, de qualidade absolutamente irrepreensível.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Casa Ermelinda Freitas Touriga Nacional 2003


Regional Terras do Sado
Casa Ermelinda Freitas (Fernando Pó – Águas de Moura)
7,99€ Jumbo
16/20

Monovarietal da casta lusitana da moda. Oriundo das Terras do Sado, este touriga apresenta-se bem de cor rubi escuro, com boa concentração e brilho, viscoso medianamente. O nariz denota licores e muita fruta madura, vermelha e silvestre, alguma compota e leve vegetal, com notas mentoladas. Secundariamente acentuam-se as notas vegetais, acompanhadas por algum balsâmico que se prolonga no bouquet. Na boca é um vinho macio e acetinado, com fruta vermelha e silvestre, taninos quase imperceptíveis e acidez média a alta, sem nunca incomodar, reforçando a sua aptidão gastronómica. Surgem ainda as compotas e licores do nariz, com alguma elegância e levíssima secura. Finaliza correcto e medianamente prolongado, sem surpresas. Uma excelente relação qualidade/preço.

Romeira 2004


Caves Velhas – Palmela DOC
Aprox. 4€ Hiper
14,5/20

Uma nova imagem para um vinho com tradição no mercado nacional.
Apresenta-se com cor rubi, concentração não muito elevada, brilho e viscosidade médias. O nariz é ligeiramente balsâmico com notas de frutos vermelhos e leve cânfora, denotando ainda, após agitar, leve odor animal, envolvido em frescura frutada. A boca apresenta um corpo médio, levemente especiado, com adstringência acentuada, se bem que não muito agressiva. A fruta é agora roxa, com notas silvestres e acidez elevada. De perfil moderno, mas ligeiramente aberto, sem grande complexidade. Finaliza correcto, se bem que não muito prolongado, confirmado as notas frutadas da boca. Em suma, um vinho bem feito e adequado para o dia a dia, sem grandes ambições nem grandes defeitos.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Terras do Pó Rosé 2006



Regional Terras do Sado
Casa Ermelinda Freitas (Fernando Pó - Palmela)
2,69€ Jumbo
14/20


Um rosé elaborado exclusivamente a partir da casta Castelão que apresenta concentração média, bom brilho e viscosidade média, numa cor rosa velho agradável. O nariz é simples mas frutado e fresco, com boa fruta vermelha e leve balsâmico. Secundariamente acentua-se a frescura com groselhas frescas a evidenciarem-se num conjunto aromático e levemente anisado.
Na boca mostra um corpo médio e acidez média/alta. Não é um rosé muito doce, mais marcado pela frescura e acidez, bem como por um ligeiríssimo amargor vegetal, que desaparece quando cumpre funções gastronómicas.
Final correcto, apenas médio e marcado pelas notas vegetais referidas.Um vinho simples e eficaz, sem pretensiosismo mas com muita frescura. Ideal para o Verão.

Periquita Clássico 2001


José Maria da Fonseca (Vila Nogueira de Azeitão - Setúbal)
Regional Terras do Sado – Aprox. 10,00€
16,5/20


De cor granada, apresenta boa concentração, viscosidade e brilho médios. No aroma denota frutos vermelhos e frutos do bosque, com leves mas agradáveis notas de couro e de fumo, ligeira cânfora e boa madeira. Secundariamente revela ligeiro anisado, com a cânfora a misturar-se com o aroma da fruta fresca e de leve odor animal. Termina com bouquet frutado pouco acentuado. Na boca mostra-se um vinho com bom corpo, taninos vivos mas domesticados e boa acidez. A fruta é vermelha e silvestre, mas madura. A madeira está presente e de boa qualidade num conjunto elegante e muito conseguido com sugestões de nozes e avelãs. Termina prolongado, balsâmico e muito apetecível, onde predominam as notas de frutos do bosque. Um bom vinho, tipicamente português (apesar de já não ser exclusivamente castelão, este ainda é dominante no Periquita) mas sofisticado. (5/12/2006)